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A proposta de unificação ortográfica tem por principal objetivo facilitar o intercâmbio cultural e político entre as oito comunidades falantes de língua portuguesa no mundo. Como as línguas não são estáticas no tempo e no espaço, há a necessidade de rever os princípios que regem o funcionamento lingüístico, a fim de não gerar um afastamento muito grande entre a teoria e o uso do idioma.
Na próxima reforma, o que se estará implementando é um conjunto de princípios ortográficos, mas pode ser também uma boa oportunidade para se discutir mais questões referentes ao idioma. Vários especialistas na área de língua portuguesa já apontaram a necessidade de discutir o chamado "preconceito lingüístico" que torna muitos falantes "analfabetos" em sua própria língua quando se trata do uso do chamado registro "culto". Ainda que não sejam profundas alterações, a reforma ortográfica já abre um bom precedente para essa discussão.
O esclarecimento à população, entretanto, não está sendo feito a contento e a maioria dos falantes nem sabe quais serão as mudanças propostas. Os próprios professores de Língua Portuguesa desconhecem o teor da reforma e muito se ouvem versões equivocadas de quais sejam os princípios mudados.
Podemos observar alguns itens dessa reforma para exemplificar: a retirada de letras de algumas palavras na versão portuguesa da língua também auxilia na leitura de textos escritos intercambiados entre países: baptismo vira batismo, adopção vira adoção e húmido vira úmido. A inclusão de "k", "w" e "y" no alfabeto, que passa a ter oficialmente 26 letras, apenas reconhece o que de fato já ocorre. Vários nomes próprios registram essas letras, além das versões em português do editor de textos mais usado no Brasil (Word - Microsoft), que dispõem de mecanismos de inclusão automática de tais letras.
Todo processo de mudança está atrelado a um tempo de adaptação e a um ônus. Por isso, a resistividade a quaisquer mudanças é natural. Obviamente, essas alterações implicarão custos com edição de dicionários, reestruturação em gramáticas e programas de revisão ortográfica, além de todos os livros que nos rodeiam. Já passamos por um processo parecido em 1971, quando a última reforma ortográfica foi implantada no Brasil. Estamos, hoje, prontos para novas mudanças em respeito à vitalidade de qualquer idioma.
Enquanto professora de Língua Portuguesa, acredito que precisamos informar a todos os falantes sobre as mudanças e garantir um tempo de adaptação.
De uma maneira geral, algumas alterações são mais relevantes para Portugal que para o Brasil, como é o caso da supressão de letras. Em outros casos, as novas regras podem ser pouco chocantes para os usuários brasileiros, como é a retirada do trema.
A informação deve chegar, prioritariamente, aos professores de Português para que possam ser multiplicadores para seus alunos em processo de escolarização. Para os alunos, é fundamental, além de ensinar os novos princípios, explicar os motivos das alterações e deixar clara a finalidade das mudanças. A partir do momento que se entende a dimensão da reforma em nível mundial, pode-se empreender um esforço para conhecer novos princípios lingüísticos.
Há que se considerar que os alunos ainda em processo de escolarização são falantes privilegiados porque podem conhecer primeiro e melhor a reforma. Muitas vezes, os próprios estudantes são agentes difusores das mudanças no referencial de cultura de uma nação.
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Dica |
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Consulte a entrevista concedida ao Olhar Virtual, da UFRJ. |
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