Papai Noel existe sim!

Consultoria concedida à revista Pais e Filhos no. 429 de dezembro de 2005

Base de informações para a reportagem "Papai Noel existe sim!"

Por que é importante as crianças acreditarem em Papai Noel?

Clique para ampliar A partir de 2-3 anos, inicia-se a chamada segunda infância. Nessa fase de desenvolvimento humano, que vai até uns 6-7 anos, a criança começa a se descobrir enquanto indivíduo e a se relacionar com o mundo que a cerca. É o momento da aquisição da linguagem, do egocentrismo e do convívio social.

É exatamente nesta fase que a criança alimenta a crença na figura de Papai Noel e em outros elementos mágicos como fadas, bruxas e muitos outros. A Psicanálise afirma que um bom desenvolvimento do imaginário infantil interfere sobremaneira na formação do indivíduo e o maravilhoso deve ser incentivado em toda a infância.

A idéia de um senhor bonzinho que recompensa com presentes as crianças que se comportam bem durante o ano favorece que haja um prêmio pelo bom comportamento. Assim, a figura de Papai Noel (pai = protetor) atende ao inconsciente desejo infantil de segurança. Muitas vezes, associamos a imagem A única preocupação, entretanto, é a de não exacerbar o desejo por presentes e criar uma relação de troca interesseira, como retratou o primeiro livro e filme da série Harry Porter.

Quais são os símbolos que ele carrega?

A origem exata do mito de Papai Noel suscita ainda algumas considerações. Muitos associam a origem ao bispo católico, depois santificado, São Nicolau. Com essa origem religiosa, ratifica-se um princípio religioso cristão de que recebe recompensa aquele que é bom e solidário. Já a alegria e o constante sorriso do chamado "bom velhinho" remetem à idéia de felicidade e de acessibilidade. A gordura pode ser associada à fartura enquanto as cores vermelha e branca foram atributos de uma campanha publicitária de uma famosa marca de refrigerantes. A certeza da volta todos os anos na mesma época também organiza temporalmente a criança, que nessa fase de desenvolvimento ainda não construiu bem a idéia de passado e futuro, vivendo intensamente o presente.

Como podemos fazer a criança acreditar e até que idade isso é aconselhável?

A ambiência de magia associada às festas natalinas já propicia a crença em Papai Noel. Em tempos pós-modernos, a influência da mídia ratifica essa idéia e cria uma referência visual que corporifica esse mito. Cabe aos pais e/ou responsáveis trabalhar o imaginário infantil e respeitar seus limites também. Em cada indivíduo, as fases do desenvolvimento humano ocorrem num ritmo e a idade de 6-7 anos é um limite aproximado para a passagem à terceira infância. A criança deve descobrir por si mesma que a figura do velhinho bonachão não passa de uma fantasia, pois na terceira infância o pensamento e a lógica infantis se tornam mais estáveis. Quando houver uma pergunta formal sobre a existência ou não de Papai Noel, cabe aos pais e/ou responsáveis perceber se já ocorreu o amadurecimento da criança que não mais crê na existência do Papai Noel. Cada criança elabora a pergunta quando se sente segura para as mudanças decorrentes do enfrentamento da realidade sem explicações mágicas. Muitos pais e/ou responsáveis se preocupam com a decepção das crianças ao descobrirem que foram enganados pela família inteira, nas pessoas em que mais confiavam. O que pode parecer inicialmente uma decepção em verdade é uma conquista de maturidade. A criança se sente mais adulta em relação às outras crianças que ainda acreditam em Papai Noel. Ela se sente como aliada dos adultos por partilhar o segredo da inexistência da figura mágica do suposto morador do Pólo Norte. A temida pergunta infantil deve soar como uma vitória de logicidade e, portanto, comemorada como uma conquista pela astúcia. Pode-se verificar, junto à criança, quais foram as pistas que ela usou para descobrir o grande mistério dos tão espertos adultos. Esse partilhar de uma investigação racionalizada deve ser partilhado, pois marca um crescimento individual.

Quais são os benefícios em ela acreditar que ele chega voando e desce por uma chaminé?

A idéia de que o Papai Noel vem do céu associa-se ao desconhecido, à imensidão e à própria magia que a cultura cristã constrói quanto ao celestial. A chaminé, no caso do Brasil, acaba por ficar meio sem propósito pois nosso clima predominante é mais quente. Nesse caso, percebe-se que os sapatinhos são colocados na janela para receber os presentes ou a busca debaixo da árvore de Natal vira uma satisfação.

Assim, a figura do Papai Noel, em sua dimensão mágica, integra um rito de passagem para o amadurecimento maior da criança em formação. Como antes da terceira infância as relações entre real e fantasia não estão bem definidas e o pensamento lógico ainda não desenvolvido totalmente, figuras mágicas auxiliam na compreensão da realidade e no convívio mais feliz em sociedade.


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