A escolha dos livros infantis
Tarefa bastante difícil é selecionar, num universo amplo de publicações, um livro infantil de boa qualidade. O mercado editorial descobriu nas crianças um grande filão de dinheiro e resolveu investir maciçamente nessa área.
O resultado, em alguns casos, não foi dos melhores. Criou-se um critério equivocado de superestimar a importância do formato, tamanho, cor ou volume, em detrimento do conteúdo em si.
O livro, seja ele infantil ou não, advém de um conjunto de fatores de igual valor: texto, ilustração, constituição física do livro etc.
Muitas vezes, deparamo-nos com pais em busca de um livro para seu filho, e o critério para seleção da obra acaba sendo o visual. Poucos são aqueles que se sentam para ler o que indicam a seus filhos. Aliás, a maioria das livrarias não dispõe de acomodações adequadas a esta prática, revelando a problemática cultural da desvalorização do hábito de ler.
No que diz respeito aos meios de comunicação, nota-se certa resistência em acolher a cultura infantil, incluindo livros, num espaço dedicado a ela com exclusividade. Muitas campanhas de incentivo à leitura contam com a colaboração de artistas que não conseguem mobilizar as crianças por seu próprio afastamento do âmbito literário.
Então surge a escola como uma ótima desculpa para pais, responsáveis e donos de meios de comunicação. A sociedade atribui à escola o papel de incentivador da leitura. Não há, todavia, uma política educacional voltada para essa prática, seja em escolas públicas, seja em particulares. Faltam livros, salas de leitura, bibliotecários, cursos específicos nesta área.
Parece que estamos em meio a um problema cíclico, onde cada partícipe se redime de culpa transferindo-a a outro. Os pais dizem ser da escola a responsabilidade, esta acusa o governo pela falta de verbas e condições para trabalho, as entidades governamentais afirmam que é falta de qualificação dos professores, o corpo docente se desculpa nos baixos salários e afirmam que é um hábito que vem de casa. E as crianças??? E a literatura???
Muitos professores delegam a responsabilidade literária exclusivamente aos professores de língua portuguesa. Será possível tanta ignorância?
Seja lá de quem for a culpa, cabe a todos oferecer sua parcela. Aos pais, mais esclarecimentos e interesse com a formação de sua prole. Aos professores, mais interesse e amor pelo "educar" e sua própria valorização enquanto profissional. Aos governantes, mais ações e menos promessas no que diz respeito à educação. Aos diretores e donos de escola, vontade de fazer uma integração para que a educação se torne um processo interdisciplinar (uma tendência mundial).



