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“Nomear um objeto significa suprimir as três quartas partes do gozo de uma poesia, que consiste no prazer de adivinhar pouco a pouco. Sugerir, eis o sonho.” |
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| --Mallarmé | ||
O Simbolismo foi uma escola literária de poetas, que tinham colegas por todo mundo como o francês Charles Baudelaire, mas tinham pouco reconhecimento e aceitação artística. Vários de seus integrantes morreram pobres, não tiveram obras publicadas e permaneceram ou permanecem esquecido até hoje.
Movimento de relações com o Modernismo, influencia a maioria dos poetas da 1ª fase do Modernismo. Aqui surgem as primeiras rupturas com os padrões rígidos de composição e restabelecimento da relação entre poesia e existência, separadas pelos parnasianos.
Complexo momento de transição para o séc. XX:
1ª GM e Rev. Russa - últimas manifestações simbolistas e primeiras modernistas
o Brasil não teve momento típico para o Simbolismo - produto de importação européia
origens estão no Sul (região marginalizada pela elite cultural), palco da Revolução Federalista (1893/1895)
Revolta Armada (1893/1894) navios da Marinha (camada monárquica) em oposição ao governo Floriano
Floriano consolida a república apesar dos movimentos de revolta
clima marcado por frustrações, angústias, falta de perspectiva, resultando em afastamento do real e busca do sujeito
Esta poesia representa uma reação contra toda produção poética anterior.
nega Realismo e suas manifestações - contra materialismo, cientificismo e racionalismo
valoriza as manifestações metafísicas e espirituais - subjetivismo
eu = universo (também critica o eu “sentimentalóide” dos românticos)
buscam a essência do homem - alma (poesia de auto-investigação)
matéria X espírito, corpo X alma, sonho e loucura
busca da purificação com o espírito atingindo regiões etéreas e integração com o espaço infinito (cosmos)
corpo = correntes que aprisionam a alma (libertação só pela morte)
primado do símbolo, valorização da metáfora, onde o símbolo é sugestão
palavras transcendem significado - cheio de sinestesias, assonâncias e aliterações
musicalidade do verso
“poesia pura” - surge do espírito irracional, não-conceitual e contrária à interpretação lógica
temática da consciência da degradação da vida
Filho de ex-escravos, foi criado por um Marechal e sua esposa como um filho e teve educação de qualidade. Perseguido a vida inteira por ser negro, culminando com o fato de ter sido proibido de assumir um cargo de juiz só por isso. É ativo na causa abolicionista. Morre jovem de tuberculose, vítima da pobreza e do preconceito.
Uma de suas obsessões era cor branca, como mostra a passagem a seguir.
"Ó Formas alvas, brancas, Formas claras
de luares, de neves, de neblinas!...
Ó Formas vagas, fluidas, cristalinas...
Incenso dos turíbulos das aras..."
É considerado neo-romântico simbolista pois valoriza os impulsos pessoais e sua condição de indivíduo sofredor como fonte de inspiração poética. Suas poesias sempre oferecem dificuldade de leitura. Trata-se de um poeta expressivo, apelidado de “Cisne Negro” ou “Dante Negro".
“Alma! Que tu não chores e não gemas
Teu amor voltou agora.
Ei-lo que chega das mansões extremas,
Lá onde a loucura mora!”
Prenuncia duas tendências que marcam a poesia moderna: sondagem psicológica, pela expressão do mundo interior e invenção lingüística, pela preferência a estruturas conscientemente elaboradas.
Obras Principais:
Poesia: Broquéis (1893), Faróis (1900), Últimos Sonetos (1905)
Poesia em prosa: Tropos e Fantasias (1885), Missal (1893), Evocações (1898)
Apaixonado desde jovem por uma prima, sofre com a prematura morte da amada e passa por uma crise de doença e boêmia. Forma-se em Direito e Ciências Sociais, colaborando sempre na melhor imprensa paulistana. Fica conhecido como “O Solitário de Mariana”.
São constantes em sua obra a presença constante da morte da mulher amada, os tons fúnebres de cemitérios e enterros, a nostalgia de um medievalismo romântico, além do seu famoso marianismo (culto a Virgem Maria). Sua obra prenuncia o surrealismo
Seus versos tinham musicalidade e sutileza para a atmosfera religiosa que inspiravam, como mostra a passagem a seguir.
"O céu é todo trevas: o vento uiva.
Do relâmpago a cabeleira ruiva
Vem açoitar o rosto meu.
E a catedral ebúrnea do meu sonho
Afunda-se no caos do céu medonho
Como um astro que já morreu."
Obras Principais:
Poesia: Setenário das Dores de Nossa Senhora (1899), Dona Mística (1899), Câmara Ardente (1899), Kiriale (1902), Pauvre Lyre (1921), Pastoral aos Crentes do Amor e da Morte (1923), Poesias (Nova Primavera, Escada de Jacó, Pulvis, 1938).
Prosa: Mendigos (1920)
Foi um dos vários poetas simbolistas quase anônimos. Pobre e boêmio, morreu tuberculoso em Salvador. Nada deixou em livro, o que dele se conhece se reduz ao que publicou em revistas simbolistas baianas Nova Cruzada e Os Anais. Sua obra só entrou em evidência em 1970, com Re-visão de Kilkerry (seleção de poemas organizada por Augusto de Campos).
Sua poesia era forte e desconcertante, sendo uma das melhores do Simbolismo brasileiro. Caracteriza-se pela base metonímica e metafórica.
"Primavera! - versos, vinhos...
Nós, primaveras em flor.
E ai! Corações, cavaquinhos
Com quatro cordas de Amor!"
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Observação |
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Com menor expressão ainda apresenta-se como simbolista Emiliano Perneta (1866-1921) que publicou, em livros, jornais e revistas, poesia e prosa poética simbolista. |
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Marco inicial = publicação de Missal e Broquéis, ambos de Cruz e Sousa - obras inaugurais em 1893
Marco final = 1922 com a realização da Semana de Arte Moderna
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Cárcere das Almas Ah! Toda a alma num cárcere anda presa, |
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| --Cruz e Sousa | ||
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Pressago Nas ÁGUAS daquele lago |
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| --Cruz e Sousa | ||
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Ismália Quando Ismália enlouqueceu, |
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| --Alphonsus Guimaraens | ||