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“O índio vestido de senador do Império. Ou figurando nas óperas de Alencar cheio de bons sentimentos burgueses” |
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| --Oswald de Andrade | ||
No Brasil, há uma urbanização do Rio de Janeiro, transformado em Corte, e cria-se uma sociedade consumidora em busca de entretenimento. Busca da “cor local”, com o espírito nacionalista em alta. Jornalismo tem grande impulso e surgem os folhetins, acompanhados pela sociedade carioca, notadamente as mulheres, com avidez.
Os romances tematizavam a descrição dos costumes urbanos ou das amenidades das zonas rurais e correspondiam às projeções dos conflitos emocionais dos leitores. Os personagens são idealizados e com os quais os leitores, principalmente jovens e mulheres, identificavam-se. Algumas obras fugiram um pouco desse esquema geral: Memórias de um Sargento de Milícias e Inocência.
passadista e colonial - O Guarani e As Minas de Prata de Alencar, As Mulheres de Mantilha e O Rio do Quarto de Macedo, Maurício e O Bandido do Rio das Mortes de Guimarães...
indianista - Iracema e Ubirajara de Alencar, O Índio Afonso de Guimarães
sertaneja - O Sertanejo e O Gaúcho de Alencar, O Garimpeiro de Guimarães, Inocência de Taunay, O Cabeleira e o Matuto de Távora
urbanos ou de costumes - várias obras de Alencar como as três mulheres: Diva, Lucíola e Senhora; além de Cinco Minutos, A Viuvinha, Sonhos D’Ouro e Encarnação
documento do Rio do tempo de D. João - Memórias de um sargento de Milícias
Atravessou todo o movimento romântico e nota-se em sua obra um progresso na técnica literária. Era o autor mais lido no Brasil até o final da década de 40 com O Guarani de Alencar.
São temáticas comuns ás suas obras: namoro difícil ou impossível, presença de jovens casadoiras e estudantes, mistérios de identidade de personagens e identificação final, conflito entre dever e paixão, alguma comicidade, espécie de documento de costumes da época. A linguagem é simples com tramas fáceis, amor e mistério culminando com um final feliz.
Obras:
Romance - A Moreninha (1844), O Moço Loiro (1845), Os Dois Amores (1848), Rosa (1849), Vicentina (1853), O Forasteiro (1856), O Culto do Dever (1865), A Luneta Mágica (1869), As Vítimas Algozes (1869), O Rio do Quarto (1869), As Mulheres de mantilha 91870), A Namoradeira (1870).
Várias peças de teatro, a poesia A Nebulosa (1857) e outros escritos
Publica em folhetins Memórias de um Sargento de Milícias, obra totalmente inovadora para a sua época. Pode ser considerado o verdadeiro romance de costumes do Romantismo brasileiro, por não estar vinculado à visão burguesa. Retrata o povo em toda a sua simplicidade, malícia, humor e sátira. Sua descrição não se resume ao ambiente, mas introduz juízos de valor e crítica. Apresenta um anti-herói picaresco, que desde sua origem já está ligado ao real e ao humor. É considerado por muitos como um precursor do Realismo. Caracterizam a obra o estilo frouxo, linguagem por vezes até descuidada e um final feliz.
Obras:
Romance - Memórias de um sargento de Milícias (1852-53)
Consolidador do romance, um ficcionista que cai no gosto popular. Sua obra é um retrato fiel de suas posições políticas e sociais: grande proprietário rural, político conservador, monarquista, escravocrata, burguês. Pode-se perceber o medievalismo no personagem de O Guarani, Peri (bom selvagem) que deveria respeitar a realidade social de que ao senhor de tudo deve-se obediência, respeito e lealdade.
Defende o “casamento” entre o nativo e o colonizador numa troca de favores (temática presente em O Guarani - Ceci e família e Peri e em Iracema com Moacir, filho de Iracema e Martim. Tudo isso traduzido numa linguagem coloquial, diálogos bem feitos por sua formação de professor de Português.
Sua vasta obra conta com romances urbanos, históricos, regionais e rurais, além dos indianistas. Iracema é uma obra que denota as grandes características de Alencar: paisagista e pintor de perfis femininos.
Obras:
Romances: Cinco Minutos (1856), O Guarani (1857), Viuvinha (1860), Lucíola (1862), As Minas de Prata (1862), Diva (1864), Iracema (1865), O Gaúcho (1870), A Pata da Gazela (1870), O Tronco do Ipê (1871), Sonhos D’Ouro (1872), Til (1872), Alfarrábios (1873), A Guerra dos Mascates (1873), Ubirajara (1874), Senhora (1875), O Sertanejo (1875), Encarnação (1893).
Algumas peças de teatro, crônicas e autobiografia, crítica e a poesia inacabada O Filho de Tupã
Autor de Inocência, romance regionalista de tom sóbrio e detalhista quanto á paisagem. Obra de pouca fantasia, mas com as relações entre paisagem e o meio bem definidas. Alguns aproximam este romance de um estilo mais realista-naturalista.
Obras:
Romance: A Mocidade de Trajano (1872), Lágrimas do Coração (1873)
Narrativas: Histórias Brasileiras (1874)
Comédia: De mão à Boca se Perde a Sopa (1874)
Drama: Narrativas Militares. Cenas e Tipos (1878), Quadros da natureza (1882), Fantasias (1882), Amélia Smith (1886)
Produz uma obra regionalista num tom de manifesto, mas sem muita repercussão da temática nordestina em O Cabeleira. Temática voltada para o banditismo como efeito da miséria, latifúndio, secas e migrações.
Obras:
Contos - A Trindade maldita (1861)
Romance - Os Índios do Jaguaribe (1862), A Casa de Palha (1866), O Cabeleira (1876), O Mulato (1878), Lourenço (1881)
Novela - Um Casamento no Arrebalde (1869)
Marco inicial = A Moreninha de Joaquim Manuel de Macedo em 1844, apesar de não ter sido o primeiro em publicação, mas sim em importância. O primeiro romance brasileiro foi O Filho do Pescador de Teixeira de Sousa (1843), mas ele não possui as linhas gerais dos romances românticos.
Marco final = publicação de O Mulato (Aluísio Azevedo) e de Memórias Póstumas de Brás Cubas (M. de Assis) em 1881 - mesma da poesia.