1. I "A cada canto um grande conselheiro, que nos quer governar cabana e vinha; Não sabem governar sua cozinha, E podem governar o mundo inteiro. Em cada porta um bem freqüente olheiro, Que a vida do vizinho e da vizinha Pesquisa, escuta, espreita e esquadrinha, Para a levar à praça e ao terreiro. Muitos mulatos desavergonhados, Traduzidos sob os pés dos homens nobres; Postam nas palmas toda a picardia. Estupendas usuras nos mercados, Todos os que não furtam muito pobres; E eis aqui a cidade da Bahia?"
II "Que falta nesta cidade?...Verdade. Que mais por sua desonra?...Honra Falta mais que se lhe ponha?... Vergonha O demo a viver se exponha, Por mais que a Fama exalta, Numa cidade onde falta Verdade, Honra e Vergonha (...) E que justiça a resguarda?... Bastarda É grátis distribuída?... Vendida Que tem, que a todos assusta?...Injusta. Valha-me Deus, o que custa O que el-Rei nos dá de graça, Que anda a justiça na praça Bastarda, Vendida, Injusta."
Pode-se dizer que:
O trecho I é lírico e o II é satírico O trecho I é satírico e o II é épico Os trechos I e II são satíricos Os trechos I e II são satíricos
2. "Meu peito também, que chora de Anarda ausências perjuras, o pranto em rio transforma, o suspiro em vento muda."
Para retratar o universo da Contra-Reforma, marcado por contradições e oposições (entre belo-feio, luz-sombra, verdade-mentira, por exemplo), o texto barroco, conforme sugere o excerto acima:
busca, paradoxalmente, a simplicidade, a economia, a palavra exata, que exprima com rigor e complexidade do mundo a que se refere. socorre-se de uma expressão construída por vaguidades, pela imprecisão deliberada, pela constante busca de imaterialidade de fundo e forma. rompe a convenção da linguagem ortodoxa e assume um caráter fortemente experimental. marca-se pela linguagem prolixa e que exacerba todo tipo de recurso – antítese, a hipérbole, o paradoxo, a metáfora.
3. As informações seguintes referem-se ao Barroco. Examine-as e identifique se são verdadeiras ou falsas:
( ) Foi o primeiro e decisivo estilo de literatura brasileira (1601 a 1768), correspondente à formação da sociedade brasileira, em torno dos engenhos da Bahia e Pernambuco, e ao domínio espanhol. ( ) Pode ocorrer que o texto Barroco seja simultaneamente cultista e conceptista, que exista ao mesmo tempo o trabalho com a palavra e com a idéia. ( ) O Barroco Conceptista valoriza a argumentação sutil, intrincada, o jogo habilidoso de idéias, operando através de paradoxos, sofismas, silogismos, trocadilhos e associações inesperadas. ( ) O Barroco Cultista, Gongórico, volta-se para a valorização da forma, da palavra, da ornamentação da frase, do estilo rebuscado e erudito. Caracteriza-se pelo abuso no emprego de metáforas, antíteses, hipérboles e pelas figuras sintáticas de repetição, supressão ou inversão de termos oracionais - anáforas, anadiploses, elipses, hipérbatos. ( ) Reflete, no plano histórico e ideológico, a atuação do Absolutismo, da Reforma Protestante, da Contra-Reforma Católica, da Inquisição e da Companhia de Jesus. Expressa o homem em conflito (Idade Média X Renascimento; fé X razão; Deus X homem; céu X terra; alma versus corpo; virtude X prazer).
A seqüência correta é:
V, V, V, F, F. V, V, V, V, F. V, V, V, V, V. V, V, F, F, V.
4. Assinale a alternativa que especifica as figuras de linguagem mais utilizadas no Barroco:
metáfora, antítese e hipérbole metonímia, catacrese e antonomasia elipse, ironia e eufemismo n. d. a.
5. O nome de maior projeção durante o período colonial:
Santa Rita Durão Basílio da Gama Gregório de Matos Guerra Olavo Bilac
6. O soneto a seguir é representativo da estética: "Não vira em minha vida a formosura, Ouvia falar nela cada dia, E ouvida me incitava, e me movia A querer ver tão bela arquitetura: Ontem a vi por minha desventura Na cara, no bom ar, na galhardia De uma mulher, que em anjo se mentia; De um sol, que se trajava em criatura: Matem-me, disse eu, vendo abrasar-me, Se esta cousa não é, que encarecer-me Sabia o mundo, e tanto exagerar-me! Olhos meus, disse então por defender-me, Se a beleza heis de ver para matar-me, Antes olhos cegueis, do que eu perder-me."
barroca. jesuítica romântica. árcade.
7. Assinale a alternativa cujos termos preenchem corretamente as lacunas do texto inicial. Como bom barroco e oportunista que era, este poeta de um lado lisonjeia a vaidade dos fidalgos e poderosos, de outro investe contra os governadores, os "falsos fidalgos". O fato é que seus poemas satíricos constituem um vasto painel ...................., que ................. compôs com rancor e engenho ainda hoje admirados pela expressividade.
do Brasil do século XIX - Gregório de Matos da sociedade mineira do século XVIII - Cláudio Manuel da Costa da Bahia do século XVII - Gregório de Matos da exploração do ouro em Minas - Cláudio Manuel da Costa
8. É lícito dizer que a literatura brasileira nasceu marcada:
pela cultura clássica greco-romana. pelas luzes do racionalismo francês. pela cultura barroca dos padres jesuítas. pelo folclore indigenista.
9. "Águas são muitas; infindas. E em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo, por bem das águas que tem". No texto anterior notamos:
que Pero Vaz Caminha assume a atitude de um observador frio. que Caminha se empolga pelas coisas da terra. que o escritor descobriu águas-marinhas. Caminha apenas está atento ao que vê, desprezando o entusiasmo tão comum da época.
10. Assinale a incorreta:
A literatura de viagens constitui valioso documento do Brasil-Colônia. Na literatura de viagens encontramos informações sobre a natureza e o homem brasileiro. Os primeiros escritos sobre o Brasil pertencem à categoria de literatura, uma vez que notamos neles preocupações estéticas. O mito ufanista é representado pelo louvor à terra fértil e a natureza como algo exuberante.
11. Assinale com C as afirmações certas e com E as erradas.
( ) A estrutura social gerada no Brasil durante os primeiros tempos da colonização permitiu um desenvolvimento cultural extraordinariamente rico e fecundo. ( ) Nos primeiros séculos, os ciclos de ocupação e de exploração formaram ilhas sociais (Bahia, Pernambuco, Minas, Rio de Janeiro, São Paulo), que deram à Colônia a fisionomia de um arquipélago cultural. ( ) A literatura dos cronistas portugueses interessa como conhecimento das raízes da terra, do índio e do colono português, modernistas como Oswald de Andrade e Mário de Andrade os recuperam para reagir contra a europeização da cultura brasileira. ( ) Nos dois primeiros séculos do Brasil produziu-se uma literatura documental que se desdobra em duas vertentes: o ufanismo e o realismo. À primeira estão ligados cronistas como Pero Magalhães Gândavo e Gabriel Soares de Sousa; à segunda, vinculam-se os textos escritos pelo Frei Vicente do Salvador e por Antonil, pseudônimo do jesuíta italiano João Antônio Andreoni. ( ) A poesia de Anchieta se marca pelo lirismo ingênuo, desprovida de qualquer maior fantasia, complexidade ou substância mental.
C, C, C, C, C C, E, C, E, C E, C, C, C, C E, C, C, E, C
12. Assinale V (verdadeiro) ou F (falso), após analisar as afirmações que se seguem sobre o Quinhentismo:
( ) A literatura de informação ressalta a importância do trabalho com o estilo, com a forma. ( ) A atitude de Caminha em frente à terra recém-descoberta é de decepção e de repulsa pelo índio. ( ) A produção informativa do Quinhentismo frente à terra tem maior valor histórico-documental que literário. ( ) A exaltação ufanista das virtudes da terra prestava-se, também, ao incentivo à imigração e aos investimentos da Europa na Colônia. ( ) Autores românticos e modernistas valeram-se de sugestões temáticas e formais das crônicas de viagem. ( ) A literatura dos viajantes é ocorrência exclusiva brasileira, não tendo nenhum similar em nenhuma outra parte do mundo. ( ) A poesia de Anchieta está presa aos modelos renascentistas e reflete, em seus sonetos, uma transparente influência de Camões.
A seqüência é:
F, F, V, V, V, F, F F, F, F, V, V, V, F V, V, V, V, V, V, V V, V, V, V, V, F, F
13. Sobre o padre Anchieta podemos dizer que:
foi autor de Prosopopéia. foi o autor de um poema em louvor à Virgem e de um poema de cunho encomiástico, louvando a figura de Mem de Sá. foi o autor de "Auto de Pregação Universal", peça de cunho nitidamente clássico, demonstrando que Anchieta assimilou profundamente o Classicismo. sua poesia tem como ponto alto Diálogos das Grandezas do Brasil.
14. Relacione a coluna da esquerda com a da direita.
1. Tratado Descritivo do Brasil ( ) Pero Magalhães Gândavo 2. Meu Cativeiro entre os Índios do Brasil ( ) Fernão Cardim 3. Cartas do Brasil ( ) Gabriel Soares de Sousa 4. Diário da Navegação ( ) Hans Staden 5. História da Província da Santa Cruz ( ) Pero Lopes de Sousa 6. Tratado da Terra e da Gente do Gente ( ) Manuel da Nóbrega
5, 6, 1, 4, 2, 3 6, 1, 4, 3, 2, 5 5, 6, 1, 2, 3, 4 5, 6, 1, 2, 4, 3
15. A literatura brasileira do período colonial, em seus primeiros tempos, teve como preocupação acentuada a catequese do selvagem. É o que se vê revelado:
nos Diálogos das Grandezas do Brasil no teatro de Anchieta no Tratado da Terra do Brasil no poemeto épico Uruguai
16. Não houve desenvolvimento literário no Brasil-Colônia porque... Assinale a incorreta:
o isolamento das capitanias e seu desenvolvimento irregular dificultou o contato entre escritores. inexistência, praticante, da vida urbana Portugal sempre manteve o Brasil afastado das influências culturais de outros países. a imitação estrangeira dificultou a imaginação de nossos escritores.