Barroco (séc. XVII ao começo do séc. XVIII)

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Referências históricas
Características
Autores
Sinopse
 

"Toda forma exige fechamento e fim, e o barroco se define pelo movimento e instabilidade; parece-nos, pois, que ele se encontra ante um dilema: ou negar-se como barroco, para completar-se numa obra, ou resistir à obra para persistir fel a si mesmo"

 
  --J. Rousset

Conhecido também por Seiscentismo (anos de 1600), este foi um estilo literário marcado pela linguagem rebuscada, o uso de antíteses e de paradoxos que expressavam a visão de mundo barroca numa época de transição entre o teocentrismo e o antropocentrismo.

No Barroco, estão presentes duas vertentes: cultismo e conceptismo:

  • renovações culturais trazidas pelo Renascimento

  • fim do ciclo das navegações

  • Reforma Protestante combatida através da Contra-Reforma

Na segunda metade do século XVIII, sentem-se no Brasil os "ecos" do Barroco. O ciclo do ouro propicia o desenvolvimento das artes em geral, notadamente em Minas Gerais, em que se destacam as obras de Aleijadinho.

Essa situação contraditória provoca o aparecimento de uma arte que expressar também atitudes contraditórias do artista em face do mundo, da vida, dos sentimentos e de si mesmo.

O homem tenta conciliar a glória e o valor humano despertados pelo Renascimento com as idéias de submissão e pequenez diante de Deus e a igreja.

Homem está entre céu e terra, consciente de sua grandeza, mas perseguido pela idéia de pecado e busca a salvação de forma angustiada. Assim, há uma tentativa de conciliação de idéias antagônicas: Bem – Mal / Deus – Diabo / Céu – Terra / Pureza – Pecado / Alegria – Tristeza / Espírito – Carne

Há um crescente pessimismo em face da vida (oposto à vontade de viver e vencer do Renascimento) e tudo lembra ao homem sua morte e aniquilamento.

 

"Ó não guardes, que a madura idade, / te converte essa flor, essa beleza, / em terra, em cinza, em pó, em sombra, em nada."

 
  --Gregório de Matos

É de se esperar que os recursos dessa visão de mundo sejam, na poesia, as figuras: sonoras (aliteração, assonância, eco, onomatopéia...), sintáticas (elipse, inversão, anacoluto, silepse...) e principalmente semânticas (metáfora, metonímia, senédoque, antítese, paradoxo, clímax...).

  • Metáfora

    Revolução da poética barroca com o surgimento das metáforas erótico-anatômicas que associavam o amor ao prazer e a natureza à mulher.

     

    "Goza, goza da flor da mocidade. / Que o tempo trata a toda ligeireza / E imprime em toda a flor sua pisada."

     
      --Gregório de Matos
  • Antítese

    reflete a contradição do homem barroco, seu dualismo

     

    "Ardem chamas n’água, e como / vivem as chamas, que apura, / são ditosas Salamandras / as que são nadantes turbas"

     
      --Botelho de Oliveira
  • Paradoxo

    demonstra a tentativa de fusão dos opostos que atormenta o homem barroco

     

    "Ardor em firme coração nascido; / Pranto por belos olhos derramado; / Incêndio em mares de água disfarçado; / Rio de neve em fogo convertido."

     
      --Gregório de Matos
  • Hipérbato

    denota a desordem do pensamento do homem barroco

     

    "A vós correndo vou, braços sagrados / Nessa Cruz sacrossanta descobertos"

     
      --Gregório de Matos
  • Gradação

     

    "Oh não aguardes que a madura idade / Te converta essa flor, essa beleza, / Em terra, em cinzas, em pó, em sombra, em nada."

     
      --Gregório de Matos

São usados vários símbolos que traduzem a efemeridade e a instabilidade das coisas: fumaça, ventos, neve, chama, água, espuma etc.

As frases interrogativas ajudam a refletir a dúvida e a incerteza que caracterizam esse período.

 

"Porém, se acaba o Sol, por que nascia? / Se tão formosa a Luz é, por que não dura? / Como a beleza assim se transfigura? / Como o gosto da pena assim se fia?"

 
  --Gregório de Matos

A ordem inversa torna a frase pomposa e traduz os maneios de raciocínio, além de retratar a falta de clareza, de certeza diante das coisas.

Destacam-se Botelho de Oliveira, Gregório de Matos, Frei Itaparica e Padre Antônio Vieira.

Participava ativamente da Companhia de Jesus e da política portuguesa de sua época, apesar de passar a maior parte de sua vida no Brasil. Destacou-se como importante orador jesuítico em língua portuguesa, sendo famoso por seus sermões.

Apresentava idéias a favor dos cristãos-novos e contra a escravidão do negro e principalmente do índio, sofreu críticas e perseguições, tendo-se envolvido com a Inquisição.

Desenvolve seus sermões por meio de raciocínios tortuosos, em longos períodos, através de um encadeamento profundamente lógico. Traduz suas idéias através de parábolas, fazendo uso principalmente da metáfora.

Merecem destaque os seguintes: Sermão pelo bom sucesso das armas de Portugal contra a Holanda, Sermão da primeira dominga da Quaresma e o Sermão da Sexagésima. A respeito deste último seguem algumas considerações.

Este sermão versa sobre a arte de pregar em suas dez partes. Nele Vieira usa de uma metáfora: pregar é como semear. Traçando paralelos entre a parábola bíblica sobre o semeador que semeou nas pedras, nos espinhos (onde o trigo frutificou e morreu), na estrada (onde não frutificou) e na terra (que deu frutos), Vieira critica o estilo de outros pregadores contemporâneos seus (e que muito bem caberia em políticos atuais), que pregavam mal, sobre vários assuntos ao mesmo tempo (o que resultava em pregar em nenhum), ineficazmente e agradavam aos homens ao invés de pregar servindo a Deus.

 

"A definição de Pregador é a vida, e o exemplo... Ter nome de Pregador ou ser Pregador de nome não importa nada: as ações, a vida, o exemplo, as obras, são as que convertem o mundo"

 
  --Pe. Vieira

Marco inicial do Barroco no Brasil: poema épico Prosopopéia, de Bento Teixeira Pinto em 1601.

Final do Barroco brasileiro: Obras Poéticas, de Cláudio Manuel da Costa em 1768

Principais autores: Gregório de Matos e Pe. Antônio Vieira


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